Frankfurter Tageszeitung - Colonos israelenses atacam comitiva de diplomatas europeus na Cisjordânia

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Colonos israelenses atacam comitiva de diplomatas europeus na Cisjordânia
Colonos israelenses atacam comitiva de diplomatas europeus na Cisjordânia / foto: JAAFAR ASHTIYEH - AFP/Arquivos

Colonos israelenses atacam comitiva de diplomatas europeus na Cisjordânia

Colonos israelenses atacaram neste sábado (17) uma comitiva de diplomatas europeus que visitavam a Cisjordânia ocupada e agrediram um prefeito francês, relataram testemunhas e fontes diplomáticas.

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O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, condenou "veementemente esses atos graves de violência" e os atribuiu a "arruaceiros israelenses", embora também tenha criticado os consulados europeus envolvidos, por não terem coordenado a visita com o Exército israelense.

No entanto, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, denunciou posteriormente uma campanha de "difamação" contra Israel e os colonos na Cisjordânia. Netanyahu, cujo governo apoia a colonização desse território ocupado, busca a reeleição nas eleições legislativas do próximo dia 27.

Segundo testemunhas, veículos das missões diplomáticas da França, Bélgica e Polônia transportavam representantes europeus a Taybeh, localidade de maioria cristã na Cisjordânia, quando colonos invadiram a região para impedir que agricultores palestinos colhessem azeitonas.

Os colonos ameaçaram e insultaram os diplomatas, antes de agredir fisicamente Bernard Baudoux, 78 anos, prefeito da cidade francesa de Aulnoye-Aymeries, segundo testemunhas e fontes diplomáticas.

Em imagens de vídeo consultadas pela AFP, o prefeito aparece caído ao lado de um veículo, ainda usando a faixa tricolor francesa. Em declarações à AFP, ele afirmou que foi derrubado, espancado e atacado com barras de ferro. "Eles chegaram completamente descontrolados", relatou Baudoux, que não sofreu ferimentos graves e conseguiu continuar a visita.

- 'Atos repugnantes' -

O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, exigiu que Israel contenha "a violência criminal" e afirmou que Baudoux foi agredido "por colonos extremistas". "As autoridades israelenses devem prender os responsáveis por esses atos repugnantes e levá-los à Justiça. Devem deter com urgência essa violência criminosa e garantir a segurança da população civil, como exige o direito internacional."

A Bélgica, cujo cônsul-geral estava no local, condenou o ataque. Em mensagem publicada no X, o ministro das Relações Exteriores belga, Maxime Prévot, repudiou a agressão.

A polícia israelense anunciou a abertura de uma investigação e afirmou que trabalha para "localizar as vítimas, colher depoimentos e identificar os suspeitos", com o objetivo de levá-los à Justiça.

Os colonos israelenses intensificaram nas últimas semanas os ataques para impedir a colheita anual de azeitonas na Cisjordânia, território palestino ocupado por Israel desde 1967. Ontem, eles feriram gravemente uma fotógrafa americana do The Washington Post. Na semana passada, um fotógrafo da AFP foi agredido.

- Escalada da violência -

O gabinete de Netanyahu disse que os responsáveis pela agressão contra a jornalista americana deverão "prestar contas", mas evitou atribuir diretamente o ataque aos colonos. Neste sábado, denunciou "uma campanha coordenada para difamar Israel e os habitantes judeus da Judeia e Samaria durante a colheita de azeitonas, baseada em manchetes sensacionalistas antes que todos os fatos sejam conhecidos".

A Cisjordânia enfrenta uma escalada da violência desde o início do conflito atual na Faixa de Gaza, em 2023, com ataques quase diários de colonos israelenses contra palestinos.

Segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), o número de ataques de colonos aumentou a cada ano desde o ataque sem precedentes do Hamas em 8 de outubro de 2023, chegando a 1.835 no ano passado. Somente nos primeiros quatro meses de 2026, foi registrada uma média de 190 ataques por mês.

Segundo ONGs israelenses e palestinas, a violência dos colonos raramente resulta em investigações aprofundadas ou processos judiciais, o que alimenta a sensação de impunidade.

Mais de 500 mil israelenses vivem atualmente, ao lado de cerca de 3 milhões de palestinos, em assentamentos na Cisjordânia, considerados ilegais pelo direito internacional.

K.Jung--FFMTZ