Conselho de Segurança da ONU renova embargo de armas ao Haiti
O Conselho de Segurança da ONU renovou nesta quarta-feira (14) o embargo de armas ao Haiti e as sanções impostas a pessoas consideradas responsáveis pela violência naquele país.
Apresentada por Estados Unidos e Panamá e aprovada por 14 votos a favor e a abstenção da Rússia, a resolução prorroga as medidas aprovadas há quatro anos.
Em 2022, o Conselho de Segurança impôs sanções a líderes de grupos criminosos haitianos, posteriormente ampliadas até se converterem em um embargo total de armas, salvo para as vendas destinadas às forças de segurança.
O texto introduz uma mudança em relação aos aprovados em anos anteriores: o Conselho de Segurança se declara "preocupado com informações que relatam malversações, abuso de confiança e desvio de recursos públicos, que comprometem a paz, segurança e estabilidade no Haiti".
A resolução também ressalta que "as pessoas que participarem direta ou indiretamente de atividades suscetíveis de desestabilizar o Haiti por meio da exploração ou do comércio ilícito de recursos naturais podem ser alvo de proibição de viagem e sanções financeiras".
A Rússia justificou sua abstenção argumentando que as sanções podem constituir uma ingerência externa.
País mais pobre das Américas, o Haiti enfrenta uma crise política, econômica e de segurança agravada nos últimos anos por assassinatos, sequestros, estupros e pelo recrutamento de menores por grupos criminosos.
Apesar do embargo, há centenas de milhares de armas em circulação, entre elas fuzis de guerra. Segundo a ONU, o bloqueio é burlado principalmente por meio do tráfico procedente dos Estados Unidos, que se aproveita da fragilidade dos controles alfandegários.
"Pedimos que os Estados-membros, em particular o país que constitui a principal fonte de fornecimento ilícito de armas e munições ao Haiti, aprovem com urgência medidas decisivas para combater o tráfico em sua origem", disse Sun Lei, representante permanente adjunto da China na ONU.
Autoridades haitianas anunciaram na semana passada o adiamento das primeiras etapas do processo eleitoral, o que atrasa as eleições presidenciais e legislativas previstas para 13 de dezembro.
I.Lang--FFMTZ