Aliados europeus reafirmam apoio à Ucrânia apesar de ameaças russas
Reunidos nesta segunda-feira (24), os parceiros europeus da Ucrânia prometeram continuar oferecendo ajuda militar e financeira a Kiev, apesar das ameaças da Rússia para dissuadi-los.
A defesa aérea foi a prioridade da reunião de 30 líderes da Coalizão de Voluntários, presidida por representantes da França e Alemanha, que participaram remotamente, e pelo premier britânico, Andy Burnham.
A Ucrânia "não é um fardo para a nossa segurança, e sim a linha de frente que protege a Europa", ressaltou Burnham, que comparou a luta atual à travada contra a Alemanha nazista.
A Rússia bombardeou recentemente Kiev com mísseis balísticos, o que destruiu prédios e causou a morte de dezenas de pessoas na capital ucraniana. "Neste momento, a situação é realmente muito difícil para todos nós, mas existe uma força que nos ampara firmemente", disse o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky. "É a força do nosso círculo mútuo."
Burnham anunciou a autorização para que a empresa de defesa MBDA compartilhe informações confidenciais que permitam à Ucrânia produzir localmente o míssil de cruzeiro de longo alcance franco-britânico Scalp.
A Rússia acusou o Reino Unido de estar "impedindo o mínimo avanço no processo de paz" ao facilitar essa informação e afirmou que seu Exército vai destruir as instalações que produzirem o míssil.
Em um discurso vespertino, Zelensky disse aos líderes reunidos que desejava "aumentar a produção" de drones e mísseis, para lançar "mais ataques" contra a Rússia, em resposta aos ataques contra a Ucrânia. "Precisamos de muito mais dinheiro."
Macron advertiu durante a reunião que "a Rússia tentará uma escalada contra os países europeus para dissuadi-los de ajudar a Ucrânia". "Está claro que os países da Otan serão alvos e que as provocações aumentarão", afirmou Macron, que pediu para "manter a calma e seguir normalmente".
- Apoio europeu -
Criada para reunir países dispostos a enviar forças de paz à Ucrânia em caso de cessar-fogo, a Coalizão de Voluntários tornou-se um fórum destinado a apoiar os ucranianos diante das incertezas em torno do apoio dos Estados Unidos a Kiev durante o governo de Donald Trump.
Os integrantes da coalizão pediram nesta segunda-feira o aumento da pressão sobre a Rússia, com mais medidas contra a "frota fantasma" usada por Moscou para exportar petróleo apesar das sanções. Zelensky pediu aos seus aliados que reforcem a defesa aérea da Ucrânia, um apelo que Burnham e Macron também defenderam.
A União Europeia (UE) anunciou nesta segunda-feira um novo pacote de ajuda de 6,1 bilhões de euros (7,1 bilhões de dólares, 36 bilhões de reais) para a Ucrânia, com o objetivo de fortalecer sua defesa antiaérea e aumentar seus estoques de mísseis e munições.
Macron prometeu no último sábado que seu país entregaria a Kiev novos mísseis interceptadores. As armas de fabricação ucraniana não permitem interceptá-los, o que significa que Kiev depende de sistemas avançados procedentes do exterior, em especial os mísseis Patriot americanos.
Zelensky disse que a Rússia consegue produzir quase 100 mísseis balísticos por mês. Contudo, o presidente ucraniano declarou que os envios de mísseis Patriot diminuíram, afirmando que a Ucrânia recebeu 675 mísseis Patriot em 2023, contra 364 em 2025 e 264 em 2026.
Os Estados Unidos enfrentam uma escassez destes mísseis devido à guerra contra o Irã e, por isso, relutam em fornecer grandes quantidades à Ucrânia.
- Caixa de Pandora -
No campo de batalha, a intensificação dos bombardeios dos dois lados continua causando vítimas.
Durante a noite, ataques atingiram armazéns de uma plataforma de comércio eletrônico no sul da Rússia, e a queda de destroços perto de um deles matou ao menos três crianças, segundo as autoridades locais.
Em Izium, no nordeste da Ucrânia, uma pessoa morreu e nove ficaram feridas - incluindo um adolescente de 13 anos - em outro ataque, segundo o governador local.
Putin assumiu no último sábado a responsabilidade pela intensificação dos ataques contra o território ucraniano. Kiev "abriu a caixa de Pandora" ao atacar a economia russa, e, em resposta, Moscou planeja atingir as exportações agrícolas ucranianas, entre outros, afirmou.
Os esforços diplomáticos para encerrar o conflito estão estagnados.
L.Bauer--FFMTZ