Inflação na Argentina acelera levemente em julho
A inflação argentina situou-se em 2,1% em julho, em leve alta em relação ao mês anterior e marcando um freio na desaceleração do último trimestre, segundo dados publicados pelas autoridades nesta quinta-feira (13).
O dado superou o 1,9% de junho, o primeiro abaixo dos 2% pela primeira vez em dez meses, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas (Indec).
Nos primeiros sete meses do ano, a inflação acumulada foi de 19,3%, com uma variação de 33,8% na comparação anual.
O índice foi divulgado no mesmo dia em que o ministro da Economia, Luis Caputo, anunciou medidas para ampliar o acesso de empresas a créditos em dólares para aquecer a economia.
Antes da publicação dos dados pelo Indec, Caputo considerou, durante uma coletiva de imprensa, que a aceleração da inflação "não é uma surpresa porque julho é um mês sazonalmente alto".
"Com a política que estamos seguindo, é questão de tempo até que a inflação convirja para os níveis internacionais", disse o ministro. "O processo de desinflação que estamos vendo é fenomenal", acrescentou.
Caputo destacou que "todos os países estão sofrendo com uma inflação maior e um crescimento menor" devido ao aumento dos preços do petróleo.
O dado da inflação de julho foi impulsionado por fatores sazonais relacionados com as férias escolares de inverno.
O setor lazer e cultura, o de maior consumo familiar todo julho na Argentina, foi o de maior crescimento no mês, com 5%.
A redução da inflação é uma das principais promessas do presidente Javier Milei.
Desde que assumiu o cargo, em dezembro de 2023, Milei executou um duro ajuste que eliminou o déficit fiscal crônico do país e conseguiu baixar uma inflação de três dígitos para cerca de 30% anuais dois anos depois.
Em contrapartida, isto significou severas reduções dos gastos públicos, o fechamento de organismos estatais, dezenas de milhares de demissões e uma forte perda do poder aquisitivo de salários e aposentadorias.
A economia argentina cresceu 1,7% nos primeiros cinco meses do ano. A alta de setores como o financeiro, a mineração e o agro contrastou com a queda da indústria manufatureira e do comércio.
Segundo um relatório da Confederação Argentina da Média Empresa, as vendas no varejo caíram 3,8% em julho na comparação anual e recuaram 2,1% em relação ao mês anterior.
P.Schwarz--FFMTZ