Zelensky comemora retomada do compartilhamento de informações de inteligência com os EUA
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, comemorou nesta terça-feira (20) a retomada do compartilhamento de informações de inteligência com os Estados Unidos, após se reunir com emissários americanos para tentar reduzir as tensões entre Kiev e Washington. Donald Trump, porém, reiterou que o ucraniano "tem que chegar a um acordo" com a Rússia.
Zelensky conversou em Oslo com os emissários americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, este último de forma remota. Os líderes da Noruega e da Finlândia também participaram das conversas.
Após o encontro, o presidente americano declarou à imprensa em Washington que Zelensky "tem que chegar a um acordo" com a Rússia.
A reunião ocorreu após uma semana de fortes tensões entre Ucrânia e Estados Unidos.
As relações entre os dois países se deterioraram depois que Trump chegou a um acordo com seu homólogo russo, Vladimir Putin, para o fornecimento de diesel ao mercado americano.
Trump busca conter os preços dos combustíveis, uma questão especialmente delicada diante das eleições de meio de mandato de 3 de novembro nos Estados Unidos.
A decisão irritou Kiev, que a considera uma forma de recompensar a Rússia, apesar da invasão da Ucrânia.
Somam-se a isso, nos últimos dias, as acusações ucranianas de que os Estados Unidos estariam restringindo o fornecimento de recursos tecnológicos essenciais no campo de batalha, justamente em um momento de intensificação da campanha militar russa.
Nesta terça-feira, porém, Zelensky afirmou em Oslo que o compartilhamento de informações de inteligência com os Estados Unidos "voltou a funcionar", o que permite à Ucrânia receber alertas antecipados sobre possíveis lançamentos de mísseis balísticos russos.
"Somos gratos aos Estados Unidos. O compartilhamento de informações de inteligência voltou a funcionar e isso é uma excelente notícia", declarou durante uma coletiva de imprensa.
Zelensky também se mostrou otimista após conversar com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e manifestou confiança em avanços tanto em relação à rede de satélites Starlink quanto ao fornecimento de mísseis Patriot.
As autoridades americanas negam ter prejudicado deliberadamente a Ucrânia, seja pela suspensão do compartilhamento de informações de inteligência ou pela restrição do funcionamento do Starlink, rede de satélites utilizada pelo Exército ucraniano.
"Nada está sendo negado à Ucrânia de forma deliberada", afirmou Rubio nesta terça-feira, na Índia. "É um equilíbrio entre nossos compromissos com outros parceiros e, francamente, nossas próprias necessidades", acrescentou.
- Witkoff em São Petersburgo -
Os ataques de ambos os lados contra infraestruturas de energia na Rússia e na Ucrânia alimentam em Kiev o temor de outro inverno especialmente difícil.
"É um pouco complicado. Já passamos por momentos piores e também por outros melhores. Veremos como a situação evolui", declarou à AFP uma autoridade ucraniana de alto escalão, ao comentar as negociações em andamento.
Após a reunião em Oslo, Witkoff viajará na quarta-feira (21) a São Petersburgo, onde apresentará às autoridades russas uma série de propostas elaboradas conjuntamente por americanos e europeus que poderiam "abrir caminho para uma reunião entre líderes", afirmou o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre.
Nos últimos dias, Trump acusou Zelensky de contribuir para a alta dos preços mundiais dos combustíveis com os ataques a refinarias russas e questionou sua disposição de pôr fim a uma guerra que já dura mais de quatro anos e meio.
"Para ser sincero, acho que chegou a hora de outra pessoa negociar em nome da Ucrânia", afirmou na segunda-feira o presidente americano, que também se disse disposto a se reunir em breve com seus pares russo e chinês.
Nos últimos dias, foi mencionada a possibilidade de um encontro em novembro, na China, entre os presidentes da Rússia, dos Estados Unidos e da China.
"Se estamos falando de questões relacionadas à Ucrânia e ao nosso futuro, isso só pode ser aceitável se estivermos presentes à mesa de negociações", declarou Zelensky nesta terça-feira.
"É claro que não estamos perdendo a guerra", declarou Zelensky ao ser questionado sobre essa possibilidade durante uma coletiva de imprensa em Oslo. "Mas estamos perdendo vidas e tempo", acrescentou.
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L.Hahn--FFMTZ