Frankfurter Tageszeitung - Países da União Europeia aprovam acordo comercial com Mercosul

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Países da União Europeia aprovam acordo comercial com Mercosul

Países da União Europeia aprovam acordo comercial com Mercosul

Após mais de 25 anos de negociações, os países da União Europeia aprovaram nesta sexta-feira (9) o acordo com o Mercosul, abrindo caminho para a criação da maior zona de livre comércio do mundo.

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O acordo, que ainda depende do aval do Parlamento Europeu, inclui diversas cláusulas destinadas a conter a oposição dos agricultores do bloco, que protagonizaram fortes protestos em vários países.

A assinatura do tratado está prevista para o dia 17 de janeiro em Assunção, capital do Paraguai, confirmou o chanceler do país, Rubén Ramírez, que comemorou um acordo "equilibrado", ao lembrar que "a insatisfação das duas partes foi uma realidade ao longo das negociações".

Em um longo comunicado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que desejava colocar sua assinatura nos entendimentos.

"Estamos criando um mercado de 700 milhões de pessoas: a maior zona de livre comércio do mundo. Nossa mensagem ao mundo é esta: a colaboração cria prosperidade e a abertura impulsiona o progresso", celebrou.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, por sua vez, que esta sexta-feira é "um dia histórico para o multilateralismo", apesar de "um cenário internacional de crescente protecionismo e unilateralismo".

- "Nem tudo são tarifas" -

A Comissão Europeia, braço executivo da UE, negocia desde 1999 esse amplo acordo com Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, que eliminará tarifas sobre mais de 90% de seu comércio bilateral.

O setor agropecuário europeu teme o impacto de uma entrada maciça de carne, arroz, mel e soja sul-americanos, em troca da exportação de veículos, máquinas, queijos e vinhos europeus para o Mercosul.

Países críticos do pacto, como a França, avaliam que o mercado europeu pode ser seriamente afetado pela entrada de produtos sul-americanos mais competitivos, devido a normas de produção consideradas menos rigorosas.

Já os defensores, como Espanha e Alemanha, estimam que o acordo diversificará as oportunidades comerciais para uma União Europeia pressionada pela concorrência chinesa e pela política tarifária dos Estados Unidos.

A Itália, que em dezembro havia se alinhado à oposição liderada pela França e conseguido então bloquear o acordo, mudou de posição nesta semana.

Isto permitiu que os 27 Estados-membros da União Europeia alcançassem uma maioria qualificada, em uma reunião de embaixadores em Bruxelas nesta sexta-feira, apesar da oposição de países como França, Polônia, Irlanda e Hungria.

O Ministério da Economia da Espanha afirmou que o acordo "reforça a autonomia estratégica" da UE. "No mundo de hoje, nem tudo são tarifas, ameaças e más notícias", celebrou o chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez.

Trata-se de um "passo importante na política comercial europeia e um forte sinal de nossa soberania estratégica", comemorou o chefe do governo alemão, Friedrich Merz.

Mas "a história não vai acabar aqui", alertou a ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, que pretende continuar a batalha no Parlamento Europeu, onde uma maioria a favor do acordo não é certa.

- Concessões ao setor agropecuário europeu -

Para conter a insatisfação de agricultores e pecuaristas, preocupados com o impacto da redução de tarifas, a Comissão elaborou nos últimos meses uma série de cláusulas e concessões.

As "prioridades agrícolas estiveram no centro" das negociações e "negociamos intensamente", destacou na quinta-feira um dos porta-vozes da Comissão Europeia, Olof Gill.

Entre as medidas, a Comissão anunciou em setembro um conjunto de garantias para os setores de carne, aves, arroz, mel, ovos e etanol, limitando as cotas de produtos latino-americanos isentos de tarifas e prevendo intervenções em caso de desestabilização do mercado.

Em dezembro, a Comissão também anunciou que abrirá uma investigação se o preço de um produto do Mercosul for pelo menos 5% inferior ao da mesma mercadoria na UE e se o volume de importações aumentar mais de 5%.

O Executivo europeu também se comprometeu a legislar sobre resíduos de pesticidas nas importações, um ponto que os agricultores denunciam como indício de "concorrência desleal".

Apesar disso, o setor agrícola manteve os protestos em países como Polônia, Itália e França, onde vários tratores estão estacionados desde quinta-feira nas entradas de Paris.

O acordo "matará a agricultura na Polônia", disse à AFP Janusz Sampolski, um agricultor que participou de uma manifestação em Varsóvia.

Z.Meier--FFMTZ