Frankfurter Tageszeitung - Donos de boate que desabou na República Dominicana podem enfrentar até 20 anos de prisão

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Donos de boate que desabou na República Dominicana podem enfrentar até 20 anos de prisão
Donos de boate que desabou na República Dominicana podem enfrentar até 20 anos de prisão / foto: Martín Bernetti - AFP/Arquivos

Donos de boate que desabou na República Dominicana podem enfrentar até 20 anos de prisão

Um tribunal dominicano reclassificou, nesta sexta-feira (16), o crime pelo qual são julgados os donos da boate Jet Set, cujo desabamento em Santo Domingo no ano passado deixou mais de 200 mortos. Com a mudança, eles podem enfrentar mais de 20 anos de prisão.

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O teto da boate Jet Set, em Santo Domingo, desabou em 8 de abril de 2025, durante um show do popular cantor Rubby Pérez, deixando 236 mortos, incluindo o próprio artista.

Antonio Espaillat, dono da boate, e sua irmã Maribel, administradora do estabelecimento, foram levados a julgamento em junho, acusados originalmente por "homicídio culposo", com penas de dois a três anos. Agora, a acusação foi reclassificada como "homicídio por dolo eventual", que prevê penas de até 20 anos.

Os irmãos foram presos em 2025 e colocados em liberdade condicional após o pagamento uma fiança de cerca de 842.000 dólares (R$ 4,2 milhões). Na ocasião, as vítimas denunciaram supostos privilégios concedidos à família, que também possui um conglomerado de mídia e um restaurante.

O Ministério Público alega que os irmãos Espaillat sabiam, antes do acidente, que as condições estruturais da boate colocavam em risco as pessoas que frequentavam o local.

"Isso não é um simples acidente imprevisível. Podia ter sido evitado. Havia advertência e não deveria ter acontecido", afirmou o Ministério Público na acusação, citada pelo juiz Franny González ao decidir pela reclassificação.

A mudança interrompe o julgamento, que será reiniciado do zero em outro tribunal, explicou o juiz.

O movimento Justiça Jet Set, que representa vítimas e familiares, havia solicitado mudança na tipificação jurídica.

"Graças a Deus a tipificação mudou. Isso representa muito para os afetados e familiares depois daquele dia cruel", disse à AFP Jeniré Mena, de 40 anos.

"É bom saber que as consequências não são vividas apenas por nós. Há a possibilidade de que os responsáveis também vivam essas consequências", acrescentou esta sobrevivente venezuelana, que sofre sequelas físicas após passar cinco horas presa nos escombros.

I.Schulz--FFMTZ