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Disputa sobre Nossa Senhora domina reta final da campanha pela Presidência
Disputa sobre Nossa Senhora domina reta final da campanha pela Presidência / foto: Nelson Almeida - AFP/Arquivos

Disputa sobre Nossa Senhora domina reta final da campanha pela Presidência

A Justiça determinou a remoção de publicações falsas em redes sociais sobre a padroeira do Brasil, uma polêmica que domina a reta final da campanha pela Presidência, uma disputa que o presidente americano, Donald Trump, disse que acompanha "muito de perto".

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca o quarto mandato, enfrentará no domingo (4) o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022). Pesquisas apontam uma vantagem de Lula no primeiro turno e preveem um segundo turno no dia 25, com um empate técnico.

Havia uma expectativa de que os dois candidatos se enfrentassem em um primeiro debate hoje, na TV Globo. Mas Lula, 80, decidiu não comparecer, e Flávio, 45, cancelou sua participação duas horas antes do debate, alegando "censura" imposta ao evento pelo Tribunal Superior Eleitoral.

A corte eleitoral havia determinado que a TV Globo não poderia deixar, como planejava, uma cadeira vazia no estúdio para representar a ausência de Lula, nem permitir que os participantes usassem seu tempo para questionar um Lula ausente.

- 'Fake news' -

As últimas horas de campanha têm como protagonista Nossa Senhora Aparecida. A polêmica começou na semana passada, quando viralizaram nas redes sociais publicações que afirmavam que, caso chegasse ao poder, Flávio Bolsonaro retiraria dela o título de padroeira do Brasil.

Essas versões se baseavam em um projeto de lei, sem vínculo direto com o candidato, apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victorio Galli (PP-MT) para limitar o título de padroeira aos católicos e foi arquivado no ano seguinte. Em 2019, Galli foi nomeado assessor especial da Presidência sob a gestão de Jair Bolsonaro.

Flávio negou as acusações e responsabilizou o governo por divulgar "fake news".

A remoção das publicações foi determinada na última sexta-feira pelo ministro André Mendonça, que as classificou como falsas, e respaldada pela maioria do tribunal eleitoral em uma votação virtual.

- 'Ataques' a imagens -

O presidente repercutiu a polêmica ao declarar que "mexer com Nossa Senhora Aparecida não é aceitável". Em ato público, ergueu uma imagem da santa e a beijou em uma entrevista.

O assunto toca em um ponto sensível no país, onde os católicos, que são maioria e estão mais inclinados a votar em Lula, segundo as pesquisas, veneram Nossa Senhora Aparecida. Já os evangélicos, que constituem uma base eleitoral importante da família Bolsonaro, não a reconhecem como objeto de culto.

Paralelamente, a polícia investiga o que o ministro do STF Flávio Dino classificou como uma "aparente onda de ataques" contra imagens religiosas. O juiz mencionou a destruição de imagens de santos em igrejas de Salvador e de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida com um machado em uma capela em Mato Grosso.

- Soberania -

Durante sua campanha, Lula levantou a bandeira da soberania, ao lembrar em cada comício que disse a Donald Trump para não interferir nas eleições brasileiras. O presidente americano declarou hoje que acompanha "muito de perto" o processo eleitoral no Brasil.

A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu hoje a investigação de um suposto plano do governo americano para usar recursos públicos com o objetivo de promover uma "agenda de extrema direita" no Brasil.

O advogado-geral da União, Jorge Messias, apresentou o pedido um dia depois de o jornal britânico The Guardian publicar um artigo que afirma que o governo Trump planeja financiar com 1 milhão de dólares (R$ 5,2 milhões) organizações que se opõem ao STF, segundo um comunicado de seu gabinete. O artigo "acende um alerta importante para a soberania brasileira", publicou Messias no X.

O.Keller--FFMTZ