Principais emissoras de TV dos EUA suspendem cobertura conjunta de Trump em apoio à CNN
As principais redes de televisão dos Estados Unidos anunciaram, nesta segunda-feira (21), a suspensão da cobertura conjunta das atividades do presidente Donald Trump em apoio à CNN, que, junto com os veículos MS NOW e Politico, foi vetada pela Casa Branca.
A CNN, MS Now e o Politico, por sua vez, apresentaram uma ação judicial contra o governo Trump, que acusam de querer cercear a liberdade de imprensa.
Trump anunciou na sexta-feira que proibiria o acesso destes três veículos à Casa Branca como punição por divulgar o que ele considera "notícias falsas".
Em reação, as emissoras CBS, ABC, NBC e Fox anunciaram que deixarão de se revezar na cobertura das atividades públicas de Trump, como faziam junto com a CNN.
Esse sistema de filmagem compartilhada é conhecido em inglês como "pool". O veículo escalado registra as imagens e depois compartilha o material com os demais meios de comunicação.
A cobertura televisiva da agenda presidencial é uma das principais tarefas jornalísticas em Washington, e sua ausência impacta tanto a mídia quanto a própria Casa Branca.
Ex-estrela da televisão, Trump é um crítico feroz da imprensa, a quem acusa de apresentar uma imagem negativa de seu mandato.
Mas o presidente reconhece que vive grudado nas telas.
Trump recebe com frequência esse "pool" de veículos de imprensa no Salão Oval, onde aceita perguntas de todo tipo e aproveita para criticar ou até mesmo zombar dos jornalistas presentes, muitas vezes ao vivo.
- O governo não decide -
Os três veículos afetados anunciaram sua ação judicial para "defender o princípio de que o governo não decide o que a imprensa informa ou publica".
Este veto presidencial não atende "os requisitos mínimos do devido processo: notificação prévia com base em critérios claros e oportunidade de ser ouvido", explica a ação, consultada pela AFP.
"O presidente não esconde que sua proibição fere um direito à liberdade de expressão que está protegido, declarando expressamente que decidiu vetar a CNN, MS NOW e Politico por sua cobertura 'acumulativa' durante os últimos dois anos", acrescenta o documento judicial, apresentado em Washington.
Em uma mensagem em sua rede Truth Social nesta segunda-feira, Trump reiterou suas acusações e assegurou que está realizando uma ofensiva contra as "NOTÍCIAS FALSAS, algo que cresceu como um câncer" nos Estados Unidos.
"Isso é uma ameaça para nossa segurança nacional e precisa parar, AGORA!", acrescentou.
Trump assegurou, citando supostos estudos de mídia, que seu governo tem uma cobertura negativa próxima de 100%, sem dar mais detalhes.
- Conflito constante -
A liberdade de imprensa é garantida nos Estados Unidos pela Primeira Emenda da Constituição.
"A mídia não deveria poder escrever ou informar constantemente FICÇÃO E MENTIRAS quando está cobrindo o presidente dos Estados Unidos", explicou Trump para justificar sua atitude na última sexta-feira.
"A Casa Branca não está realizando um ataque contra a imprensa livre, algo que valorizo profundamente", reiterou Trump nesta segunda-feira.
O republicano, de 80 anos, advertiu que outras mídias podem enfrentar um destino similar, sem mencionar quais.
Há anos, Trump acusa os veículos de comunicação, como a CNN, de terem ajudado a propagar as acusações de que ele conspirou com a Rússia durante seu primeiro mandato como presidente.
Durante esse mandato, ele vetou o jornalista dessa emissora Jim Acosta, mas depois a Justiça obrigou a Casa Branca a lhe restituir o acesso em questão de dias.
Acosta acabou deixando a CNN, assim como outros jornalistas da emissora.
Recentemente, o presidente atacou publicamente outra jornalista estrela da CNN, Kaitlan Collins, a quem repreendeu, entre outras coisas, por "nunca sorrir".
B.Schmidt--FFMTZ