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Israel confirma proibição de acesso de 37 ONGs em Gaza
Israel confirma proibição de acesso de 37 ONGs em Gaza / foto: Eyad Baba - AFP

Israel confirma proibição de acesso de 37 ONGs em Gaza

Israel confirmou, nesta quinta-feira (1º), a proibição do acesso de 37 organizações de ajuda humanitária, incluindo Oxfam e Médicos Sem Fronteiras (MS), à Faixa de Gaza, uma resposta à não divulgação de uma lista com nomes de seus funcionários.

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Tal requisito faz parte de uma nova regulamentação que pode provocar uma desaceleração da entrada de ajuda no território palestino, devastado por dois anos de guerra e com grande parte de seus habitantes em necessidade.

"As organizações que não tiverem cumprido as normas exigidas em questão de segurança e transparência terão sua licença suspensa", declarou o Ministério da Diáspora israelense em um comunicado.

"A principal deficiência identificada é a negativa em fornecer informações completas e verificáveis sobre seus funcionários, um requisito essencial destinado a impedir a infiltração de operadores terroristas nas estruturas humanitárias", especificou.

"A mensagem é clara: a assistência humanitária é bem-vinda — a exploração dos marcos humanitários com fins de terrorismo não é", ressaltou no comunicado o titular da pasta, Amichai Chikli.

As Nações Unidas, a União Europeia e outros atores da comunidade internacional criticaram Israel, que havia dado a estas ONGs o prazo até a meia-noite de quarta para quinta-feira para cumprir tais requisitos anunciados pela primeira vez em março.

Entre as 37 organizações afetadas estão: Médicos Sem Fronteiras, Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC), World Vision International, CARE e Oxfam.

Em um comunicado enviado à AFP, a MSF explicou que aplica "políticas internas rigorosas para garantir o respeito às leis e impedir qualquer desvio de ajuda ou qualquer associação com grupos armados".

Entretanto, não enviou a lista de seus funcionários a Israel por não ter recebido "garantias e esclarecimentos" sobre este pedido "preocupante".

Em nota, o movimento islamista palestino Hamas qualificou a decisão como um "comportamento criminoso" que "constitui uma perigosa escalada e um desprezo flagrante pelo sistema humanitário".

Um frágil cessar-fogo vigora desde outubro em Gaza, depois da guerra devastadora travada por Israel em resposta ao ataque sem precedentes do Hamas em solo israelense, em 7 de outubro de 2023.

Embora o acordo de cessar-fogo que começou em 10 de outubro previsse a entrada de 600 caminhões por dia, apenas entre 100 e 300 transportam ajuda humanitária, segundo as ONGs e a ONU.

J.Hoffmann--FFMTZ